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Platô de Neópolis: projeto espera ajuda para decolar

13/09/2007 13:26

Dilson Ramos, Agência Alese

Foto:César Oliveira

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Deputados visitam o Platô


Foto:César Oliveira

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Deputados em Neópolis


Projetado para ser um pólo de fruticultura irrigada nos moldes do existente em Petrolina, Pernambuco, o Platô de Neópolis nunca conseguiu atingir suas metas iniciais: gerar 15 mil empregos e transformar Sergipe num grande exportador de frutas. Mas a imensa área destinada ao agronegócio, no Norte do Estado, pode se tornar gerador de renda e emprego e exportador de frutas. Quem se instalou no local e está produzindo espera apenas a ajuda do governo para fazer o negócio decolar.
A comissão de deputados estaduais que esteve em Neópolis, ontem (12), viu de perto um cenário que não repete a propaganda feita em 1993, quando o Platô de Neópolis passou a funcionar. Segundo os concessionários, o projeto gera em torno de três mil empregos. O Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), que invadiu um dos 41 lotes do Platô, nega. Afirma que esse número chega a 500.
Os parlamentares estiveram em alguns lotes que estão produzindo banana, manga e coco. Há também culturas de maracujá, limão, lima e mamão. Quem plantou outras frutas sugeridas pelo governo, na época do lançamento, amargou prejuízos. O solo pobre e a umidade da região transformaram sonhos em pesadelos.
“Tivemos que aprender o que era possível obter. Para chegarmos à banana, por exemplo, tivemos prejuízos até conseguir adaptar a cultura ao clima e solo locais”, explica Olímpio de Sá Tavares, concessionário que possui a mais vistosa plantação de bananas do Platô. Proprietário da Frutesp, ele colhe os frutos após buscar solução para pragas que afetavam os cachos de banana.
Olímpio tornou o negócio rentável e exporta a banana industrializada para outros mercados, como o Rio de Janeiro. Ele produz banana passa, doce e bala de banana sem açúcar. Mas a expansão do seu negócio esbarra na falta de crédito. Os bancos não aceitam os lotes como garantia para conceder empréstimos.
“O governo deve entender que queremos trabalhar e devemos ser ouvidos”, diz o produtor, que lamenta o fato de ter se reunido várias vezes com representantes do governo e não chegar a um consenso. Para ele, é preciso conquistar a promessa de venda dos lotes, pois sem essa condição, não obtêm recursos. “Não existe agricultura no mundo sem crédito. Essa é uma atividade de alto risco e sem crédito fica difícil”, diz.
Antes de arregaçar as mangas e experimentar o Platô de Neópolis, vários produtores foram levados à Petrolina e Juazeiro. Ficaram encantados com o modelo de fruticultura irrigada que gera riquezas em terras baianas e pernambucanas. Mas viram depois que a realidade era outra. O projeto, em Sergipe, precisava ser concluído e o solo e o clima não permitiam repetir, aqui, a experiência bem sucedida na rica cidade pernambucana.
“Os deputados estão conhecendo de perto o Platô e tendo a oportunidade de nos ouvir. Com isso esperamos um entendimento para fazer algumas correções”, observou o presidente em exercício da Associação dos Concessionários do Distrito Irrigado Platô de Neópolis (Ascondir), Clóvis Sobral Neto. Para ele, se vier ajuda, há condições do projeto atingir suas metas.
Clóvis afirma que o Platô de Neópolis, que atualmente exporta frutas para o Sul e o Sudeste do Brasil e para alguns países da Europa, é uma opção para o mercado quando ocorre a entressafra em Petrolina. “Precisamos de recursos para ampliar a produção e mudar algumas culturas”, sugere.
A Ascondir espera que os deputados sejam capazes de assegurar algumas mudanças junto ao governo do Estado. A principal delas é a alteração no regime jurídico que permita a aquisição dos lotes e a concessão de empréstimos nos bancos. “Existem recursos disponíveis para o plantio, crédito subsidiado. Se resolvermos esse impasse, o Platô vai ser totalmente ocupado”, relatou o presidente da entidade.
A associação que representa os concessionários do Platô mostrou um relatório aos parlamentares, no encontro realizado na sede da Ascondir, em Neópolis, onde apontam a existência de poucos lotes sem utilização - e mesmo assim, já em fase de plantio. Estas áreas foram ocupadas por empresários de outros estados, que utilizaram a área para especulação.
Os produtores estão negociando com o governo. Os secretários do Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Jorge Santana, e da Agricultura e Desenvolvimento Rural e Agrário, Paulo Viana, receberam um documento da Ascondir contendo projetos e pendências do Platô. Uma das propostas é a automação do sistema de irrigação, que irá proporcionar economia no consumo de energia elétrica. Atualmente a área plantada no Platô é de cerca de 54% da área irrigável. Pode chegar a 100% se vier ajuda.